Em sintonia com esse momento histórico que atravessa o país, os partido políticos, sobretudo os tidos como progressistas, precisam envolver a população na discussão sobre a reforma política, por entender que esse é um tema fundamental para “democratizar a nossa democracia”, como bem diz um pensador contemporâneo.
O poder econômico não pode continuar definindo os rumos do país. Este poder todo é construído e alimentado pelo sistema de financiamento das campanhas, que permite o financiamento das empresas. Estas oferecem hoje para ganhar em dobro amanhã. Uma reforma política deve ir além de questões eleitorais. O poder não pode ser fonte de privilégios sejam pessoais ou para determinados grupos. Precisamos construir o poder popular.
A conexão entre reforma política e democratização dos meios de comunicação também se faz necessária. A população brasileira não se vê mais representada nos meios de comunicação, sendo a democratização da mídia o único caminho para a ampliação da diversidade de vozes e do pluralismo de ideias no rádio e na televisão.
A complexidade, diversificação e fragmentação das formas de manifestação do Estado e da sociedade civil têm se apresentado como tema de debates e inquietações na realidade contemporânea. Expressão do desenvolvimento capitalista das últimas décadas, tais categorias passaram a ser utilizadas tanto para fortalecer a participação política da sociedade quanto para justificar os programas de ajuste neoliberal nas diferentes agendas governamentais e despolitizar as ações dos sujeitos históricos que funcionavam como vetores de unificação social. Recuperar a relação dialética entre Estado-sociedade civil é tarefa que se impõe a todos aqueles que acreditam na construção de um novo projeto de sociedade.
Tribuna do Juruá – Jorge Natal