Ícone do site Tribuna do Juruá

Defensoria Pública da União fará mutirão para rever aposentadorias de hansenianos em CZS

Depois de uma audiência pública promovida pela Procuradoria da República em Rio Branco, a Defensoria Pública da União (DPU) virá a Cruzeiro do Sul para fazer um mutirão para atender demandas sobre aposentadorias indeferidas de hansenianos.  Submetidos ao isolamento e internação compulsória, eles estão frustrados com as respostas negativas aos pedidos de pensão especial, prevista na Lei 11.520. A maior dificuldade é conseguir documentos expedidos  na época das internações e que, agora, são exigidos pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, da Presidência da República.

A pensão foi criada para reparar danos e preconceitos sofridos pelos portadores da doença, forçados a internações e isolamentos. “Temos pessoas que já mandaram a documentação até três vezes e os seus processos são indeferidos. Eles ficam ansiosos até pela necessidade que tem e decepcionados com as respostas negativas. Ultimamente tem sido um exagero o número de requerimentos indeferidos, muitos estão morrendo sem concretizar o sonho de receber essa pensão, isso nos deixa muito triste. Infelizmente está existindo toda essa dificuldade”, diz, lamentando, o representante do Movimento de Reintegração dos Hansenianos (Morhan), Manoel Alves da Silva.

Após a audiência pública, os procuradores da República, no entanto, enviaram um relatório para rever “as distorções”, principalmente a falta de prova das internações. “Foi enviado o relatório para a Câmara, Senado e Casa Civil da Presidência da República”, informou o coordenador regional da entidade, Elson Dias.

Aos 56 anos, a ex-portadora de hanseníase, Maria das Dores Catingueira da Silva, vive sérias dificuldades para sustentar a família. Com graves sequelas da doença, ela mora em uma pequena casa de madeira no Bairro do Telégrafo, com os filhos e netos. “Meu marido também era doente, mas morreu antes da criação dessa lei. Eu estou muito triste, já tentei três vezes conseguir a pensão, mas sempre vem negada, tenho muita necessidade”, diz.

Tribuna do Juruá – Jorge Natal

Sair da versão mobile